terça-feira, 8 de agosto de 2017

Você sabe que seu filho cresceu e você também, quando ele te faz uma pergunta importante e sua resposta é apenas um "não sei" sem nenhuma angústia.
A parte mais difícil de ser mãe, no meu entendimento, não é trocar fraldas ou perder noites de sono, não é a preocupação diária nem mesmo as broncas infindáveis. A parte mais difícil são as primeiras vezes que você se sente, realmente, desnecessária.

A mágica da maternidade está muito ligada ao tanto de narcicismo que ela nos proporciona: nos sentimos importantes ou até imprescindíveis para alguém. Sendo assim, deixar cair esse lugar é a parte mais dura nessa jornada - eu acho.

É em nome desse narcisismo que acreditamos que sempre sabemos tudo e o que é melhor para nossos filhos. É em nome desse narcisismo que os esperamos acordadas quando saem à noite, acreditando que nossa insônia teria o poder de protegê- los do mundo lá fora. É em nome desse narcisismo que teimamos em ser as magas na previsão do tempo e as bruxas das poções mágicas. E é duro admitir que não somos nada disso. É difícil a travessia de assumir que somos apenas mulheres comuns que escolheram doar uma parte de si para outro ser (o que já é incrível).

Mas muitas mulheres, uma vez que foram mães, não conseguem fazer essa travessia de volta ao feminino. Me perdoem as que enchem a boca pra dizer que os seus rebentos sempre serão os "filhinhos da mamãe", mas eu não pretendo repetir tal mantra. Chamam isso de amor incondicional, eu chamaria de aprisionamento ao narcicismo da maternidade. Narcisismo que aprisiona mães e filhos

Tenho dois filhos adultos (22 e 21) para os quais já me sinto bastante desnecessária. Com minha caçula (de 11 anos) estou tendo as primeiras experiências de queda de lugar, e, como das outras vezes, não tem sido fácil, mas pretendo seguir na mesma direção. Óbvio que eu nunca deixarei de ser a mãe deles e que vou ama-los por toda a vida, mas eu espero ser, um dia, uma mãe totalmente desnecessária; ser capaz ama-los para além do meu narcisimo. E espero, também, ter o amor deles ainda assim. Quem sabe tenho essa sorte?

Rita Almeida

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